INQUIETUDE
 

Você já parou para pensar que, neste exato momento, enquanto você está lendo este texto, alguém está morrendo, outros estão nascendo, outros estão dormindo, outros estão trabalhando?

Alguns estão felizes, outros estão tristes. Alguém está sendo espancado, torturado até a morte.

Você já parou para pensar que, enquanto estamos tomando café, almoçando, milhares de pessoas, ao redor do mundo, passam fome?

Enquanto estamos tomando banho, milhares de pessoas não têm água limpa para beber.

Você já reparou, ao andar pelas ruas, quantas histórias elas suportam sobre o seu piso? Um vai e vem de homens, mulheres, crianças, além da fauna e flora.

Você já parou para pensar por que as nossas histórias se passam ao mesmo tempo, mas são tão diferentes?

Você já sentiu uma sensação de déjà-vu ao pensar no significado da vida? A impressão que tenho é como se estivéssemos vivendo dentro de um “bug” ininterruptamente. O pior é que não conseguimos sair dele.

Desde o início dos tempos há diferenças: ricos, pobres, loucos, sãos, inteligentes, ignorantes... e a lista é enorme. Sempre houve a busca pelo poder, guerra por dinheiro, assassinos, estupradores, pedófilos, etc.

O que muda é o cenário desse jogo chamado vida, mas o ser humano continua perdido dentro de sua própria história. Nem mesmo a maior fortuna, saúde ou fama é capaz de aquietar a alma humana. Incontáveis são os casos de suicídio de pessoas bem-sucedidas e de outras nem tanto.

Você já parou para pensar que, apesar de muitas pessoas abdicarem da própria vida para ajudarem pessoas ao redor do mundo, não conseguem colocar um ponto final no problema?

Você já parou para pensar que, apesar da existência de tantas instituições, ONGs e empresas engajadas em causas humanitárias, a dor do mundo não cessa; ao contrário, ela cresce, cresce e se espalha?

Mas temos também algumas conquistas, como o fim do casamento de crianças com adultos em algumas culturas e o direito de dirigir para mulheres na Arábia Saudita. Porém, em pleno 2019, mulheres africanas têm a sua genitália mutilada. Na Rússia, os homens têm o direito de bater em suas esposas. Na Venezuela e na China não há liberdade de expressão. Em cada canto do mundo há realidades diferentes, algumas boas e outras extremamente maléficas. 

Neste exato momento, muitas pessoas estão sofrendo, sofrendo muito. Por quê?

Chego à conclusão de que, por mais que haja boas ações por parte de milhares de pessoas, sempre haverá um “bug” para atrapalhar tudo, e a história se repete, repete e repete, em “cenários” diferentes.

Ah, mas alguns dirão que é a vontade de Deus, de Oxalá, de Maomé e de tantas outras crenças. É mais fácil passar o ônus a um ser onipresente em vez de buscar a verdade, ainda mais quando ela parece ser inatingível.

O ser humano é o culpado por toda essa bagunça? Talvez sim, talvez não.

Outro fator intrigante é o poder da natureza. Os desastres naturais podem acabar com a humanidade em um piscar de olhos. Nem mesmo os armamentos mais poderosos possuem a sua força e poder. Imagine se os vulcões entrassem em erupção, se acontecessem furacões, terremotos, tempestades e tsunamis ao redor do mundo ao mesmo tempo. A natureza colocaria um ponto final nessa bagunça.

No decorrer da história da humanidade, muitos se destacaram por sua luta em prol de um bem comum. No Brasil, temos a figura de Tiradentes como nosso herói. Grandes nomes fizeram a diferença na história, como Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá. Outro exemplo que vale destacar é o importante trabalho realizado pela Cruz Vermelha. Muitos de seus integrantes morreram em zonas de conflito.

Veja bem, desde a época de Tiradentes havia abuso por parte dos governantes. É como eu disse: mudam-se apenas o cenário, a tecnologia e os adornos.

Como consertar esse “bug”?

Gostaria de ter uma fórmula mágica que pudesse assoprar e espalhar pelos quatro cantos do mundo, acabando, definitivamente, com todo o sofrimento.

Mas eu sou apenas um pontinho insignificante na configuração desse sistema, que tenta buscar uma saída e vez ou outra deixa escapar letras pelas frestas da vida e as transforma em poesia, crônicas, livros, pensamentos soltos...

Apenas queria acabar com a dor do mundo. Só queria acabar com a dor do mundo. Por que é tão difícil?

 

Você já parou para pensar?

 

Copyright © 2019 - Todos os Direitos Reservados à Marcela Re Ribeiro - Reprodução Proibida

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